Pesquisar neste blog

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Eu, Alberto e a chuva


Estávamos eu e o Alberto sob a chuva.

Estávamos ali, surpreendidos pelo temporal. Poderíamos retornar para o aconchego da varanda, mas não; ali estávamos, ali ficamos. Cada um em seu processo contemplativo pessoal.

Quebrando o silêncio íntimo em que nos submergira aquele marulhar de gotas estalando na relva, pensei no cuidado de Deus... Em como ele amava sua criação, como regava as plantas, saneava a atmosfera, reabastecia os rios, os lençóis freáticos... A chuva era a música da bondade de Deus, uma sinfonia cujos acordes tocavam o solo e molhavam os ouvidos com amor... 

Alberto, em silêncio, braços estendidos como se desejasse ampliar a superfície do corpo para receber cada gota de chuva, não se movia.

Depois de alguns instantes, ambos absortos naquele devaneio íntimo, meu amigo comentou:

- É muito bom quando a chuva bate no corpo. As gotas caem com uma força macia sobre  a gente. Quase nada neste mundo cai com uma força macia sobre o corpo da gente...

Foi então que me dei conta de que a sinfonia molhada que eu escutava era também macia, uma sinfonia macia, molhada e generosa, de Deus... 

E sob aquela percepção do Alberto, tão mais concreta e sensual que a minha, senti que tudo estava absolutamente correto, que a chuva era forte e macia, mas que também era chuva de amor Divino. 

E esse entendimento - na verdade, essa certeza interior - me trazia paz. Imensa paz. Tão grande quanto as maneiras que existem de sentir a chuva. Tão grande quanto a liberdade de senti-la.

De fato, naqueles instantes em que a chuva forte já se fora e tudo que restava no mundo era uma tépida garoa, contentava-me saber que Deus permitia a cada um sentir e pensar como quisesse. Contentava-me saber que tudo estava certo. 

E ali estávamos e ali ficamos, aos raios do sol que sempre vem após a chuvarada.

Gilberto de Almeida
09/01/2018


sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Neve de Natal


Cai a neve de natal sobre os templos da cidade!
Cai e escorrega e aos poucos tudo invade.

Sobre as casas e oficinas,
sobre as almas pequeninas,
cai na Igreja reformada,
cai na ponte e sobre a estrada,
sobre os bancos e as finanças
cai a neve e tudo amansa...

E a criança corre afoita pela neve da cidade!
Cai e escorrega atrás do que lhe agrade.

Tantas luzes cintilantes,
muitas renas e elefantes!
São bonecos sorridentes,
guloseimas e presentes 
e o presépio natalino
(a lembrança do menino!)... 

A esperança cai do Alto como flocos de verdade!
Cai e escorrega e o nosso peito invade.

Todo ano as luzes vêm
despertando mais alguém!
Todo ano cai a neve
Mesmo num momento breve
Todo o ano há quem aguarde
jubiloso, a caridade!

Cai a neve do natal sobre os templos da cidade!
Cai e escorrega e aos poucos tudo invade.

Gilberto de Almeida
22/12/2017



terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Perdão

(Vicente Galeano)

Pacifica o teu coração.
Esquece as mágoas do passado
no mesmo lugar isolado
no qual por ora elas estão.

Fecha as portas do alçapão
que deveria estar trancado
por um potente cadeado
 conhecido como perdão.


segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Cálice Sagrado



A vida do cristão é doce alento
oferecido em taça de amargura 
ao coração sofrido que procura
servir sem recompensa, oculto e isento.

É cálice sagrado o seu intento,
na Terra derramado, com doçura,
porque, se entrega luz, recolhe a escura
ingratidão do mundo desatento.

Porém, não se intimida; segue adiante!
Donde a energia imensa que garante
tal brio, tão incomum, tão pouco visto?

É que essa força nasce além da Terra
e ao servidor humilde se descerra
como esperança, luz e amor do Cristo.

Gilberto de Almeida
04/12/2017


Cartão Fraterno

(Luiz Guimarães - em "Lindos casos de Chico Xavier". Poema psicografado por Chico Xavier)


Abre teu coração à luz divina
Para que a luz do amor em ti desponte.
E subirás, cantando, o monte
Que de bênçãos celestes se ilumina.

Honra a luta na terra que te inclina
À sublime largueza de horizonte.
A nossa dor é a nossa própria fonte
de profunda verdade cristalina.

Quebra a escura cadeia que te isola!
Faze de teu caminho a grande escola
De renascente amor, puro e fecundo!

Deixa que o Cristo te penetre a vida
E que sejas do Mestre a chama erguida
À luminosa redenção do mundo.


sábado, 11 de março de 2017

Alegria de viver


Não faço planos, é verdade.

Meu futuro é presente 
de Deus
a cada dia.

Nada mais desejo que ser hoje
operário de Sua obra,
de Seu amor.

Nada mais quero 
que fazer a cada dia,
no anonimato da minha pequenez,
a minha parte.

Meu futuro é presente;
minha vida é presente;
meu presente é futuro.

E o futuro já chegou
a cada dia.

Gilberto de Almeida
11/03/2017


quarta-feira, 8 de março de 2017

Acróstico para uma sociedade embrutecida (ou masculinizada, o que vem a ser a mesma coisa)


M ais
U ma
L embrança
H umilde...
E xiste
R emédio, mas ele é imponderável...

Gilberto de Almeida
08/03/2017

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Menos um


Como sempre, na contra-mão.
Sou eu.
E não me importo.

Todos querem o tal do pensamento crítico.
Deus, livrai-me do criticismo.

Todos querem.
Deus livrai-me de querer.
Ou pelo menos, de querer do meu modo.

Gilberto de Almeida
28/12/2016


sábado, 17 de dezembro de 2016

Nove natais


A consulta era com a mãe.
À despedida, perguntei à menininha:
- Quem é que você está esperando no natal?

- Papai noel!

Reformulei a pergunta:
- Mas no natal, a gente comemora o aniversário de quem?

Olhar de ponto de interrogação dirigido para a mãe.

A mãe justifica-se:
- A gente esquece de ensinar!

Nove natais da pequenina.

Gilberto de Almeida.
17/12/2016


terça-feira, 13 de dezembro de 2016